domingo, 18 de agosto de 2013

Redes sociais - Facebook

Nunca conheci quem tivesse levado porrada

  Nos dias atuais todos somos felizes, inteligentes e bonitos(as). Todos temos razão em nossos diálogos, todos somos críticos de política, cinema e televisão. Em geral, temos um conhecimento superficial em vários assuntos, mas achamos que somos profundos formadores de opiniões.
  Fernando Pessoa tem um texto que retrata parte do que está escrito acima.




Nunca conheci quem tivesse levado porrada.


Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.



E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.




Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana

Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,




Arre, estou farto de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?




Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?




Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Roupa nova

Vista-me do ardor de seu beijo.
Ao me desnudar, vislumbro-lhe.
Preparo-me para o ensejo.
Que a muito nutro por você.
Venha linda donzela, aproxime-se.
Bem aqui, pertinho de mim.
Assim, eu sinto seu perfume.
Seu cheirinho doce.
Quiçá, visto-me de você.
Para então estrear minha roupa nova.
Nova!
Que será eterna por cada segundo vestida.


Minha autoria

sábado, 3 de agosto de 2013

Despedida

   A despedida sempre é ruim. Muitos não sabem como se despedir, outros simplesmente não gostam.

Despeço-me do mundo fugaz
Da vida sem rumo e insípida
Tomarei um destino audaz
Sem clichês desta humanidade atada

Para este mundo sem solução
Pessoas não se deixam amar
Para este mundo com solução
Eu ainda consigo amar

Vemos pessoas boas amiúde
Que não despertam o mínimo desiderato
Parece que nos cativa mais a maldade

Sei que o estirão longo será
Farei a despedida do supérfluo
Para que no futuro você diga que me amará
Minha autoria