O que é a fé? Creio que
é uma pergunta irrespondível. Em verdade, ninguém sabe explicar se realmente a
tem. Em momentos, pessoas demonstram de forma eloquente, de forma plácida e
confiante, sem exageros. Não obstante, alguns fiéis revoltam-se e a tentam ingeri-la
a outrem. Como pode alguém querer fabricar fé na mente alheia? Apenas sei, que
a fé surge dentro de si, dentro da crença individual, claro que os resquícios
dogmáticos são adquiridos do externo, das teologias empregadas por teólogos,
ora sãs e íntegros, ora traiçoeiros.
A vida dogmática, muita
das vezes, é mais fácil de consolar a si mesmo. É bonita e com explicações
baseadas na hermenêutica. Não quero dizer que são explicações fáceis e triviais
de compreender, pelo contrário, há de se ter fé colossal em crenças que contam
caminhos transcendentais aparentemente inexplicáveis por meios científicos.
As religiões doutrinam
sempre para o caminho do bem, e apresentam explicações impossíveis de se chegar
por meio científico, tem-se como exemplo a “vida” após a morte. Essas
explicações confortam o íntimo de cada fiel e é de grande importância para
apaziguar mentes que não se conformam com o fim biológico da vida.
A humanidade tem seus conceitos
éticos extremamente entrelaçados com os conceitos religiosos, falácia seria
negar tal afirmação. Não aponto nem uma religião específica, pois acredito que
todos tem a função primária de ligar o indivíduo ou divino. Cientificamente,
somos seres biológicos semelhantes. Ademais, somos seres históricos/sociais,
movidos por sentimentos adquiridos ao longo de nossa história terrestre. Não me
agrada a ideia que somos feito por amor, como alguns dizem.
Negar nossa essência religiosa
é negar nosso íntimo. Somos sim seres religiosos, até os ateus. Está em nossa
cultura, está em nossa própria herança metafísica. Quem nega tal essência, não
entende o meio onde vive, não compreende as relações interpessoais que a
humanidade se cerca.
Sim, é possível abdicar
a essência religiosa/espiritual, mas não é possível impugná-la. Estar vivo, por
si só, é ter de admitir uma origem, se não se justifica o desconhecido,
tampouco se pode negá-lo.

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