quinta-feira, 26 de setembro de 2013

FÉ

     O que é a fé? Creio que é uma pergunta irrespondível. Em verdade, ninguém sabe explicar se realmente a tem. Em momentos, pessoas demonstram de forma eloquente, de forma plácida e confiante, sem exageros. Não obstante, alguns fiéis revoltam-se e a tentam ingeri-la a outrem. Como pode alguém querer fabricar fé na mente alheia? Apenas sei, que a fé surge dentro de si, dentro da crença individual, claro que os resquícios dogmáticos são adquiridos do externo, das teologias empregadas por teólogos, ora sãs e íntegros, ora traiçoeiros.

     A vida dogmática, muita das vezes, é mais fácil de consolar a si mesmo. É bonita e com explicações baseadas na hermenêutica. Não quero dizer que são explicações fáceis e triviais de compreender, pelo contrário, há de se ter fé colossal em crenças que contam caminhos transcendentais aparentemente inexplicáveis por meios científicos.

     As religiões doutrinam sempre para o caminho do bem, e apresentam explicações impossíveis de se chegar por meio científico, tem-se como exemplo a “vida” após a morte. Essas explicações confortam o íntimo de cada fiel e é de grande importância para apaziguar mentes que não se conformam com o fim biológico da vida.

     A humanidade tem seus conceitos éticos extremamente entrelaçados com os conceitos religiosos, falácia seria negar tal afirmação. Não aponto nem uma religião específica, pois acredito que todos tem a função primária de ligar o indivíduo ou divino. Cientificamente, somos seres biológicos semelhantes. Ademais, somos seres históricos/sociais, movidos por sentimentos adquiridos ao longo de nossa história terrestre. Não me agrada a ideia que somos feito por amor, como alguns dizem.

     Negar nossa essência religiosa é negar nosso íntimo. Somos sim seres religiosos, até os ateus. Está em nossa cultura, está em nossa própria herança metafísica. Quem nega tal essência, não entende o meio onde vive, não compreende as relações interpessoais que a humanidade se cerca.

     Sim, é possível abdicar a essência religiosa/espiritual, mas não é possível impugná-la. Estar vivo, por si só, é ter de admitir uma origem, se não se justifica o desconhecido, tampouco se pode negá-lo.



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